UNEGRO Capixaba participa do 1º encontro Estadual de Ogãs em Cachoeiro de Itapemirim

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Foi realizado entre os dias 10 e 12 deste, no Ilê Axé Opo Elemeso, situado no bairro Novo Parque, o 1º Encontro Estadual de Ogãs iniciativa do Coletivo Juventude de Axé, através da Lei de Incentivo Municipal Rubem Braga. A programação foi voltada a formação, valorização da ancestralidade africana, direitos dos povos tradicionais de terreiro e a preservação ambiental. Assim como, fortalecer o protagonismo dos ogãs.

Destaque na programação a palestra “Direitos e Conquistas dos Povos Tradicionais de Terreiro”, tendo como palestrante Luiz Eduardo Alves de Oliveira, membro da UNEGRO RJ e presidente do Conselho Estadual dos direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial do deste estado. “O candomblé é uma filosofia de vida, é uma filosofia de sapiência, o candomblé ele carrega na sua essência todo respeito a natureza, todo respeito ao individuo, todo um equilíbrio, e quando ele é praticado com essa força, com essa dedicação, a terra muda, nós nos transformamos, nós mudamos. Então, é extremamente importante que as pessoas entendam que nós não estamos nos religando a nada e nem a ninguém, nós somos uma filosofia que ela é integralmente harmoniosa e acolhedora”, afirmou Luiz Eduardo também conhecido como Negrogun. Destacou ainda a importância da participação das comunidades de terreiro nos espaços de decisão e construção de políticas públicas.

Ancestralidade e Meio Ambiente

Parte da programação foi realizada na Fazenda Santa Rita em Muqui, onde foi realizada a palestra “Ancestralidade e Meio Ambiente”, proferida pelo Alagbá Lucas Martins coordenador de religiões de matriz africana da UNEGRO-ES. Fazenda histórica fundada no século XIX, que teve como mão-de-obra negros e negras escravizados/as, de forte simbolismo para a memória de nossos ancestrais. Lucas discorreu sobre a importância das religiões de matriz africana na preservação da natureza, conhecimentos ancestrais transmitidos de geração em geração, da importância de se preservar espaços de memória de nossa identidade afrobrasileira.

Ainda na fazenda Santa Rita foi realizado o plantio de um baobá, árvore de origem africana, para o ativista Geovane Roberto do coletivo Juventude de Axé “plantar um baobá é plantar nossa história, nossas raízes, e nossa ancestralidade em solo capixaba. É deixar para as próximas gerações um símbolo vivo da resistência de nossos antepassados e da força dos povos tradicionais de terreiro”.

O Encontro foi uma oportunidade singular de troca de experiências, fortalecimento da identidade negra e valorização das tradições de matriz africana. Além de destacar o papel fundamental dos ogãs na preservação dos conhecimentos religiosos, culturais e ancestrais, reconhecendo sua importância na organização e continuidade das comunidades de terreiro.

Por, Welington Barros, ass. Comunicação UNEGRO-ES.