O 8 de março é mais que uma data no calendário — é um chamado à ação, a memória das que perderam suas vidas pelo machismo que mata, é a luta diária de milhões de mulheres por igualdade, segurança e justiça.
Neste Dia Internacional da Mulher, celebramos conquistas históricas em direitos, trabalho e participação social. Mas, também lembramos que a vida de muitas ainda está em risco todos os dias.
Dados divulgados nesta semana revelam que 2025 registrou o maior número de feminicídios da última década no Brasil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram 1.568 mulheres assassinadas por violência de gênero em todo o país, um crescimento de quase 5% em relação a 2024, um aumento significativo desde 2015, quando o feminicídio foi tipificado no Código Penal brasileiro.
Esses números expõem uma dor que ressoa em cada família, comunidade e coletivo: mulheres são mortas simplesmente por serem mulheres. A cada dia, vidas são interrompidas por uma violência que deveria ser prevenida, combatida e erradicada.
A violência contra mulheres negras no Brasil é um fenômeno estrutural e interseccional, onde o racismo e o sexismo se combinam, tornando essa população o grupo mais vulnerável a diversas formas de violência, incluindo o feminicídio.
Os dados (2024-2026) indicam que a maioria esmagadora das mulheres mortas ou agredidas no país são negras, que representam mais de 60% das vítimas de feminicídio no Brasil, de acordo com o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgado em 2026, com dados de 2021 a 2024.
Estudos indicam que o perfil da violência contra a mulher no país tem cor e tem raça. Os casos de feminicídio com vítimas negras cresceram, com 64% das vítimas de feminicídio sendo negras, 66% das mulheres negras que sofreram violência doméstica não possuem renda própria ou o que ela tem é insuficiente, evidenciando que a vulnerabilidade econômica aumenta o risco de violência.
A violência atinge essas mulheres não apenas por questões de gênero, mas também devido a estereótipos raciais e falta de representação, o que intensifica a violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.
Nós, mulheres da União de Negras e Negros pela Igualdade, denunciamos as violências históricas contra corpos pretos e fazemos desse dia o dia de protestar por condições de vida e de trabalho dignos. A campanha pelo fim da escala 6×1 não é apenas uma reivindicação trabalhista: é uma disputa por dignidade, por direitos que reconheçam a complexidade das vidas femininas. Reduzir jornadas, garantir descanso remunerado, ampliar políticas públicas de proteção social — tudo isso é parte de um projeto de sociedade que respeita e valoriza as mulheres.
Portanto, neste 8 de março, fazemos um apelo:
➡ ️ Pela vida das mulheres — contra o feminicídio e todas as formas de violência de gênero.
➡ ️ Pelo fim da escala 6×1 e por condições de trabalho justas e saudáveis.
➡ ️ Por uma sociedade em que nenhuma mulher precise temer por sua vida ou sacrificar sua saúde e tempo livre para sobreviver.
8 de março é dia de luta, resistência e esperança. Que nossos passos nas ruas, e nos espaços de decisão possam abrir caminhos reais de transformações, porque os direitos das mulheres não estão à venda, e suas vidas não podem mais esperar.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Adriana Silva
Presidenta da UNEGRO-ES
